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Um instrumento técnico inédito para mensurar a exposição de Terras Indígenas às dinâmicas do crime organizado no Brasil, integrando 33 variáveis em 7 dimensões territoriais.
O índice mensura a vulnerabilidade de Terras Indígenas (TIs) frente às pressões associadas ao crime organizado. Ele adota as TIs como unidade primária de análise, focando tanto em fatores intrínsecos quanto extrínsecos que moldam a exposição ao risco.
O instrumento parte do reconhecimento de que a vulnerabilidade é espacialmente estruturada — produzida e reproduzida em contextos específicos onde fatores históricos, sociais, institucionais, ambientais e econômicos se articulam para criar territórios de exclusão.
Seus resultados devem ser utilizados como indicadores de atenção e priorização territorial, orientando políticas públicas de proteção social, segurança, saúde e desenvolvimento alternativo.
| 1º grupo | Baixa vulnerabilidade |
| 2º grupo | Vulnerabilidade moderada-baixa |
| 3º grupo | Vulnerabilidade moderada |
| 4º grupo | Vulnerabilidade moderada-alta |
| 5º grupo | Alta vulnerabilidade |
A leitura do índice parte de uma abordagem territorial da vulnerabilidade, entendida como um processo relacional, dinâmico e historicamente construído, atravessado por riscos, capacidades adaptativas e fatores de pressão.
Refere-se ao grau em que um grupo ou território se torna suscetível a danos quando exposto a riscos externos. Não se trata de uma condição fixa, mas de um processo que varia conforme o contexto territorial, institucional e social.
Refere-se à probabilidade de perdas ou danos diante de uma ameaça específica, articulando tanto a natureza do perigo quanto as condições concretas do grupo ou território exposto.
É o potencial de um grupo para se ajustar, reduzir danos e responder a mudanças causadas pelos riscos. Depende de fatores como acesso a recursos, redes de apoio, infraestrutura, educação e políticas públicas.
A abordagem do índice parte do entendimento de que a vulnerabilidade enfrentada por povos indígenas em Terras Indígenas não é uma condição recente, mas um processo historicamente construído e territorialmente condicionado.
Nesse contexto, o crime organizado atua como fator de pressão, exacerbando vulnerabilidades preexistentes e ampliando riscos contemporâneos. Quando capacidades adaptativas são limitadas, essas pressões tendem a produzir efeitos mais intensos sobre a autonomia, a segurança territorial e as condições de vida.
O enfoque territorial reconhece que diferentes contextos produzem diferentes formas de exposição ao risco. Ao adotar as Terras Indígenas como unidade de análise, o índice busca apoiar diagnósticos comparáveis e leituras territorialmente situadas, sem perder de vista a diversidade dos contextos indígenas no Brasil.
Identificar padrões territoriais de vulnerabilidade e pressões associadas ao crime organizado, apoiando diagnósticos comparáveis, priorização territorial e interpretações contextualizadas.
Substituir análises qualitativas, generalizar experiências indígenas ou reduzir a complexidade territorial a uma explicação única. O índice deve ser interpretado em conjunto com outras informações, pesquisas e leituras de contexto.
As 33 variáveis selecionadas foram organizadas em 7 blocos temáticos com pesos iguais, agregados pela média simples para gerar o escore final de vulnerabilidade.
O índice é fundamentado nos conceitos de vulnerabilidade, risco e capacidade adaptativa, entendendo o crime organizado como fator de pressão que incide sobre territórios com diferentes condições de exposição e resposta.
O fluxo de trabalho envolveu identificação de bases, seleção de variáveis, extração, limpeza, transformação dos dados, integração espacial e modelagem estatística. Ao todo, foram analisadas 66 bases de dados. Após triagem inicial, 52 variáveis foram selecionadas para avaliação metodológica e, ao final, 33 compuseram o modelo operacional.
A unidade de análise é a Terra Indígena. Cerca de 60% das variáveis são medidas diretamente nessa escala. Quando não há dados públicos disponíveis na escala da TI, são utilizados, quando metodologicamente adequados, resultados observados em escala municipal atribuídos por sobreposição espacial.
Todas as variáveis foram reescaladas para a faixa de 0 a 1 por normalização Min–Max. Nos casos em que valores mais altos representam melhores condições territoriais, a direção da variável é invertida para manter interpretação consistente do índice.
As variáveis foram organizadas em 7 dimensões analíticas. Em cada dimensão, foi calculado um subescore por média aritmética simples. O escore geral resulta da agregação dessas dimensões com pesos iguais.
O escore final é contínuo (0–1) e seus resultados são organizados em 5 grupos por quebras naturais (Jenks). O índice permite decomposição por dimensão e passou por rodadas sucessivas de validação técnica com instituições públicas, universidades e centros de pesquisa.
Cerca de 60% das variáveis são observadas diretamente na escala das Terras Indígenas. As demais utilizam resultados municipais atribuídos por sobreposição espacial quando necessário.
Variáveis → Dimensões → Subescores por dimensão → Escore geral contínuo (0–1)
O índice não classifica territórios como “vulneráveis” ou “não vulneráveis”. Ele mede a intensidade relativa da vulnerabilidade no conjunto analisado.
Todas as bases utilizadas no índice são públicas. Os resultados dependem da disponibilidade e da qualidade dos dados no período considerado.
O índice revela gradientes territoriais nítidos na distribuição da vulnerabilidade. O fenômeno não se distribui aleatoriamente, mas acompanha eixos estruturantes de ocupação e pressão econômica e criminal.
Amazônia Legal concentra a maior vulnerabilidade. Núcleo contínuo de alta vulnerabilidade estende-se do norte de Rondônia ao sul de Roraima, abrangendo sudoeste do Amazonas e leste do Pará.
47% das TIs de alta vulnerabilidade estão no Amazonas. Terras Indígenas como Yanomami, Raposa Serra do Sol, Vale do Javari, Kayapó e Munduruku figuram entre as mais críticas.
Sul, Sudeste e Nordeste apresentam predominantemente baixa vulnerabilidade. As exceções concentram-se em áreas de fronteira agrícola e em contextos urbanos periféricos, como Tenondé Porã (SP) e Potiguara (PB).
A convergência de pressões ilícitas aparece como padrão territorial. Regiões de sobreposição entre desmatamento, garimpo, tráfico fluvial e invasão concentram os maiores escores.
A plataforma interativa permite visualizar os resultados do índice, explorar as Terras Indígenas analisadas e consultar dimensões, variáveis e padrões territoriais de vulnerabilidade.
O documento apresenta os fundamentos teóricos, procedimentos metodológicos e os resultados completos do índice para todas as 638 Terras Indígenas analisadas.